País
Antigo líder sindical da PSP condenado a pagar 177 mil euros
Dionísio Câmara utilizou o dinheiro das quotas dos associados para pagar despesas pessoais. O antigo presidente do Sindicato Independente de Agentes da Polícia de Segurança Pública (SIAP) foi também condenado pelo Tribunal de Loures a quatro anos de prisão com pena suspensa, por abuso de confiança agravado.
A notícia foi avançada pelo Correio da Manhã e dá conta de que o ex-dirigente do Sindicato Independente dos Agentes da Polícia (SIAP) terá utilizado a conta bancária da estrutura sindical como se fosse sua durante, pelo menos, seis anos, sem conhecimento dos restantes membros da direção e dos associados.
O caso foi detetado após a saída de Dionísio Câmara da liderança, em 2015, quando a nova direção acabou por identificar um desvio de cerca de 120 mil euros, correspondente às quotas de pelo menos 1.500 sindicalistas.
A leitura do acórdão realizou-se na sexta-feira, no
Tribunal de Loures. O coletivo de juizes deu como provados os fatos e
condenou o antigo sindicalista ao pagamento de 177 mil euros ao SIAP.
A auditoria feitas às contas, a pedido da nova direção, revelou ainda a existência de dívidas e despesas alegadamente pessoais, incluindo compras de supermercado e pagamentos de telecomunicações.
Em declarações à RTP, o presidente da delegação de Lisboa do SIAP mostrou-se satisfeito pela decisão do coletivo de juízes do tribunal de Loures .
"Foram apresentados os fatos, foram dados como comprovados e a decisão foi favorável ao sindicato", começou por reagir Sérgio Garcia.
"Aquilo que a nova direção fez foi ir à procura de justiça", explicou à RTP o dirigente que está na Madeira e integra a comitiva do SIAP que tem agendada uma ronda de reuniões com representantes partidários, do governo e representantes da estrutura da PSP local.
Sérgio Garcia revelou ainda que a decisão de avançar para tribunal foi tomada pelos sócios em Assembleia-geral.
"O que o SIAP quer é conseguir reaver a verba que pertence aos sócios", adiantou o dirigente.
O sindicalista aproveitou a oportunidade para explicar que o que se segue é "uma série de tramites, mas nós [SIAP] só queremos conseguir o dinheiro dos associados."
Com mais de dois mil sócios inscritos, o SIAP informou os associados da condenação, proferida na passada sexta-feira e confirmou à RTP que o ex-dirigente foi "expulso" e "já não tem qualquer ligação com o sindicato."
Entretanto, ao Correio da Manhã, a advogada do SIAP, Paula Belo, explicou que durante a leitura do acórdão, o Dionísio Câmara manteve-se em silêncio, mas admitiu os factos durante a produção de prova. "Disse ter feito uso do dinheiro", afirmou, acrescentando que aguarda para perceber como será executado o pagamento da indemnização.
Agente vive na Madeira e mantém ligação à igreja
Quando foi destituído, Manuel Dionísio Câmara prestava serviço na divisão CP/Metro do Comando Metropolitano de Lisboa da PSP.
Ao que a RTP apurou, o agente reside na Madeira, está em baixa prolongada, mas mantém presença assídua nas redes sociais, com publicações que mostram a sua participação em procissões religiosas nos concelhos do Funchal e de Machico.
Nas mesmas plataformas, Dionísio Câmara partilha fotografias ao lado de figuras públicas ligadas à televisão e à música.